sexta-feira, 21 de julho de 2006

 
Lembrei do Tião Nery no post anterior, o que me levou a relembras as histórias, estórias e causos do Alkimim que não é esse picolé de chuchu: José Maria Alkimim.
Um político mineiro de inventividade ligeira, que morreu pobre depois de 50 anos de vida pública.
Abaixo descrevo alguns desses ocorridos, muitos deles contados pelo Tião Nery nos seus volumes do Folclore Político.

José Maria Alkmin, ministro da Fazenda, e Augusto Frederico Schmidt, assessor de inteligência de Juscelino, foram jantar com o embaixador do Egito. A conversa corria sobre as influencias árabes no Brasil. Schmidt provocou:
- Nosso Alkmin, por exemplo, é um árabe puro, a partir do nome. O que é que significa mesmo Alkmin?
O embaixador sorriu, ficou sem jeito, respondeu:
- “Al” é o artigo “O”. “Kmin” é “mentira”. Alquime é o ouro falso. Alquimia eram conhecimentos quiméricos da Idade Media.
- O senhor está dizendo então que eu sou “o mentiroso”?
Despediram-se às gargalhadas. Schmidt foi contar a JK.
- Alkmin já esteve aqui. Disse que “Alkmin” é “o valente”.


José Maria Alckmin ficou com inveja quando soube que o amigo Juscelino Kubitschek namorava Sarah, distinta filha do político Jayme Lemos. Pediu para ser apresentado a amigas dela, interessando-se pela mais bonita, muito alta e, sobretudo, muito franca. A moça nada queria com Alckmin:
- Primeiro cresça e apareça...
Alckmin respondeu rápido:
- Crescer eu não garanto...


José Maria Alckmin encontra o filho do eleitor.
- Como vai seu pai, meu filho?
- Meu pai já morreu há muito tempo, doutor Alckmin.
- Morreu pra você, filho ingrato. Porque ele continua vivo em meu coração.


Morreu a mulher de Augusto de Lima Júnior. Alckmin não foi ao enterro, não telefonou, não telegrafou, não foi à missa do sétimo dia, não deu sinal de vida. E eram amigos íntimos de longa data. Lima ficou indignado, nunca mais procurou Alckmin.
Uma tarde, encontram-se em Belo Horizonte, rua da Bahia, na Livraria Itatiaia.
- Como vai, meu caríssimo Lima?
- Vou bem. Até logo.
- Espere. Por que a pressa? Noto que você está triste. O que significa essa gravata preta? Morreu alguém próximo?
- Morreu sim, Alckmin. Morreu minha mulher.
- Não me diga! Meus pêsames.
- Ela deixou essa vida com nojo dos homens, cada dia mais canalhas. Cada dia mais canalhas. Alckmin, até logo.
- É isso mesmo, Lima. A vida não está mais para gente como nós. A vida hoje é só mesmo para os canalhas. Gente como nós já não tem por que viver.


José Maria Alkimim encontra-se com dona Lia Salgado, famosa soprano mineira:
- Mas como a senhora está jovem, dona Lia.
- Qual o que, dr. Alkimim, Já sou até avó.
- A senhora pode ser avó por merecimento. Jamais por antigüidade.


José Maria Alkimin encontrou um cabo eleitoral na Praça 7, em Belo Horizonte, e foi logo perguntando:
- Como vai? E a esposa? E as crianças?
- A mulher está ótima, deputado, mas por enquanto é só uma criança...
- E eu não sei que é um filho só?
Disfarçou Alkimin, diante do interlocutor cético.
- É um menino que vale por muitos! Então, como vão "os meninos"?

Numa festa em Caratinga (MG), o lendário José Maria Alkimin falou com um vereador do PSD que acabava de atacar um vereador da UDN: - Tem toda razão, meu filho. Logo em seguida, chega o tal vereador e ataca o colega do PSD. - Você tem toda razão, meu filho ? repetiu Alkimin. Como ouviu as duas conversas, a mulher de Alkimin estranhou: - Você deu razão ao vereador do PSD, depois deu razão ao da UDN... - É, meu bem, você tem toda razão... arrematou Alkimin.

Reza a lenda que o político mineiro José Maria Alkimin foi advogado de um criminoso repulsivo. O réu acabou condenado a 8 anos de cadeia, e Alkimin recorreu. A sentença aumentou para 30 anos, pena máxima. O réu chiou: - A culpa foi do senhor, dr. Alkimin. Eu que bem disse para não recorrer... - Calma, meu filho, não é bem assim. Não são 30, mas 15 anos: se você se comportar bem, cumpre só 15. Esses 15 são feitos de dias e noites. Quando a gente dorme, tanto faz estar preso ou solto, por isso são 7 anos e meio. E você não vai cumprir 7 anos de uma só vez. Vai ser dia a dia. Suavemente.

Na crise da doença do general Arthur da Costa e Silva, em plena ditadura, as raposas mineiras Israel Pinheiro e José Maria Alkimin telefonaram para Pedro Aleixo, vice-presidente, sugerindo-lhe que fosse a Minas organizar o novo governo. O telefonema foi gravado pelo SNI e os dois foram intimados a confirmar a conversa. Alkimim reagiu com a maior naturalidade: - Está vendo, Israel? É perfeita. Eu sempre disse ao Renato Azeredo que parasse com a mania de imitar a voz de todo mundo. Brincadeira de mau gosto...

A última é para a Ana Paula e para Mirinha, netas do Dr. Osvaldo Nobre.

O diretor do semanário mineiro O Debate, Osvaldo Nobre, encontrou casualmente em Belo Horizonte o deputado José Maria Alkimin. A velha raposa política não perderia a chance de fazer média:
- Excelente o seu jornal. Leio-o todos os dias.
- Mas o jornal é semanal, deputado. observou Nobre, com ironia.
- Para você, que o faz uma vez por semana - respondeu Alkimin, rápido no gatilho - porque, para mim, que o leio todos os dias, é diário mesmo.


Todos os "causos" acima têm como fonte as colunas de Sebastião Nery e Cláudio Humberto.

Comments:
Assisti a mini-série toda! Adorava as tiradas do Alkimin mesmo.
À propósito, o último peixe morreu à um mês...durou muito pra um beta né?
E quando aos cacos...vamos ver se sai alguma obra de arte...
Beijos e Ótimo fim de semana!
Vou esconder no sítio!
:)
 
oiiiiiiiii
adorei o carinho pra guardar na minha mala..ahah
manda um postal de BH que coloco junto..
e, esse Alkimin era um grande político heim?
desse eu gostei!
beijo
N
 
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